8 insights sobre como escrever bem
- Sabrina Neto

- 30 de nov. de 2025
- 8 min de leitura
Atualizado: 9 de dez. de 2025
Da simplicidade ao estilo, confira alguns caminhos que podem contribuir para ajudar você a escrever bem e com mais confiança.

Sempre que leio um livro que me conecta do início ao fim, tipo aqueles em que lemos 300 páginas em um único final de semana, termino a leitura refletindo sobre como o escritor conseguiu chegar nesse nível de envolvimento com o leitor, tanto pela história como pelo estilo de escrita. E, como trabalho escrevendo e criando conteúdos, é inevitável pensar em perguntas do tipo:
Como escrever bem?
Como trabalhar esse nível de conexão no texto?
Como criar textos "viciantes"?
Podemos chegar no consenso de que desenvolver um texto com clareza, gramaticalmente correto, que transmita a mensagem que queremos à nossa audiência pode sim ser considerado como pré-requisitos para escrever bem. No entanto, quando me deparo com leituras tão conectadas com o público, como a do exemplo citado no início desse artigo, entendo que escrever bem é profundo, é ir além, é entender como o nosso olhar único pode ser aplicado ao processo criativo de escrita.
Para nos ajudar na reflexão de hoje, usarei como referência o livro Como escrever bem: o clássico manual americano de escrita jornalística e de não ficção, escrito por William Zinsser.
Antes de entrarmos nos insights compartilhados por Zinsser no livro vale a pena saber…
Quem foi William Zinsser na fila do pão?

William Zinsser foi um escritor, editor, crítico literário e professor americano. Ele nasceu em Nova York (EUA), em 1922, e faleceu em 2015, na cidade de Manhattan. Como escritor, colaborou com as principais publicações americanas. Ele também ministrou aulas nas universidades Yale, Columbia e The New School e publicou, entre outros livros, Writing About Your Life e Easy to Remember.
Lendo a obra do jornalista, eu diria que ele foi um escritor sem muitas firulas, focado na simplicidade e objetividade do texto.
No livro, Zinsser traz o seu olhar sobre métodos, alguns gêneros jornalísticos, princípios importantes para nos ajudar a organizar melhor as ideias na hora de escrever, além de falar, entre outras coisas, sobre o prazer, medo, confiança e as decisões que lidamos durante o processo de escrita.
Inspiradas pelas ideias do livro, hoje quero compartilhar 8 insights que me fisgaram e, o melhor, servem para qualquer tipo de texto.🤩
Os insights de Zinsser aplicados à produção do texto
A essência do escrever é reescrever
Siiimm eu tinha que começar a lista com essa reflexão. A primeira escrita, aquela em que jogamos as ideias cruas no papel, é muito intensa. Geralmente, essa etapa é sem filtro, sem julgamentos. E é bom que seja assim, porque nesse momento ainda não estamos tão preocupados com a forma, apenas com o que queremos transmitir.
Contudo, para que a mensagem chegue até o nosso leitor de forma precisa, é necessário lapidarmos esse conteúdo logo após o “despejar de ideias”. Aí entra a reescrita do texto.
Por meio da reescrita, dentre outras questões, verificamos se existem:
☑️ lacunas no conteúdo;
☑️ erros gramaticais;
☑️ informações desnecessárias; e
☑️ entendemos se o texto está entregando a mensagem que queremos transmitir.
Dedicar um tempo para a reescrita é fundamental para conseguirmos elaborar conteúdos que trabalhem a informação na sua essência e gerem conexão com o nosso público.
Retire os excessos do seu texto
Está aí um insight simples e que mudará a forma como você refina o seu conteúdo.
Muito presente na reescrita que falamos no primeiro item, essa etapa do processo é como se fosse faxinar o guarda-roupa para retirarmos todas as peças que não nos servem ou não precisamos mais. Ao invés de camisetas e calças caindo na nossa cabeça, tudo estará em seu devido lugar e com bastante espaço para que consigamos enxergar o todo.
Agora visualize esse momento de limpeza no seu conteúdo, em que você retira palavras, frases e, em alguns casos, parágrafos desnecessários. Esse excesso pesa, deixa a leitura cansativa e a mensagem confusa. A retirada dos excessos da frase sugerida por Zinsser deixará o seu texto mais claro e, acima de tudo, simples.
Para o autor, excesso é a frase elaborada que expulsou a palavra certa que dizia a mesma coisa. 😅
Escrever bem não combina com excessos. Então, da próxima vez que finalizar um conteúdo, pense na dica de Zinsser:
“Encontre os excessos do seu texto e corte-os sem dó”
Não existe certo e nem errado: existe o método que funciona para você.
Acreditar que existe um único caminho para conquistar um objetivo é limitar o seu potencial criativo. Por isso minha sugestão é: experimente.
Assim como as demais atividades que fazemos na vida, escrever é prática, é testar no dia a dia as ferramentas e técnicas que achamos que fazem sentido dentro do nosso processo criativo. Só assim conseguiremos entender o que funciona ou não para nós.
"Há todo tipo de escritor e todo tipo de método, e qualquer método que ajude você a dizer aquilo que quer dizer será o método certo para você.”
Tenho um exemplo pessoal que ilustra muito bem a importância de entendermos o que funciona para cada um de nós.
Quando está em casa, meu marido só consegue trabalhar com a televisão ligada. No começo, eu achava estranho e me perguntava como ele conseguia se concentrar. Depois de muito tempo, compreendi que eu não conseguia entender esse hábito dele porque não é uma prática que funciona comigo. No meu caso, a depender do conteúdo que estou produzindo, prefiro ouvir música. Porém, muitas vezes, opto pelo silêncio. Dessa forma consigo eliminar os ruídos e me concentrar 100% no que estou fazendo.
Não existe certo ou errado no processo criativo de escrita: existe o que funciona ou não para você.
Seja você mesmo
Outro insight digno de reflexão.
Em um mundo cheio de comparações e excessos, parece que ser nós mesmos é tudo, menos a coisa certa a ser feita. Falar sobre esse tópico é tão profundo que lá em 2023, durante um dos meus despertares para a escrita e para a minha jornada de autoconhecimento, transformei esse tema em um dos capítulos do meu livro Pense Escrita.
Para Zinsser, acreditar na sua identidade e entender para quem você escreve são essenciais. Ele ainda reforça que a disputa na escrita não é pelo primeiro lugar, mas pela originalidade.
E desse pensamento podemos levantar mais uma questão:
O que é ser original e como produzir textos autênticos num momento em que dividimos espaço com a inteligência artificial?
Trazer para o conteúdo a sua história de vida, suas experiências profissionais e vivências podem ser alguns caminhos que ajudarão a fortalecer esse olhar único. Afinal, ninguém é igual a você, assim como o seu texto.
A matéria-prima está em todos os lugares
Sou dessas que ama praticar o olhar atento para captar algum insight da minha rotina. Zinsser também incentiva essa busca pela matéria-prima no nosso dia a dia: procurar o nosso insumo em todos os lugares.
De rótulo de embalagem à bula de remédio, de placa de sinalização em rodovia à outdoor e cardápio de restaurante. Zinsser dá um conselho importante:

Transformar tudo isso em matéria-prima e inspiração para a escrita é, de certa forma, mostrar a sua originalidade. Ninguém terá uma jornada de vida igual a sua. Pense nisso e ative a Escrita com base nos insumos que estão ao seu redor.
Deixe o seu leitor orientado
Para quem eu escrevo?
Considero essa uma pergunta-bússola crucial para conduzir o leitor do início ao final do conteúdo. Quando conhecemos a nossa audiência fica muito mais fácil entender quais são as suas dores, seus medos, suas curiosidades e, claro, compartilhar insights que façam sentido para a realidade desse público.
Da mesma forma que é importante entender para quem você escreve é igualmente essencial saber onde você deixou o seu leitor no texto.
Zinsser alerta sobre avisar ao leitor diante de qualquer mudança de tom em relação à frase anterior. Para isso, ele exemplifica a importância de usar muitas das expressões que já são familiares para nós, como:
Mas
No entanto
Todavia
Contudo
Apesar disso
Em vez disso
Dessa maneira
Por isso
E por aí vai…
Além de deixar o texto mais fluido, facilita o entendimento do leitor quanto a chegada de alguma mudança de direção no conteúdo.
24/7
Somos escritores vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana. Se você, assim como eu, vive o processo de escrita, sabe que a todo momento estamos trabalhando em alguma ideia, criando alguma frase ou pensando em algum conteúdo (mesmo que inconscientemente).
Inclusive, escrevendo sobre esse tópico, me lembrei de mais uma experiência pessoal. Dessa vez com o meu filho.
Em um dos nossos passeios, meu filho notou que o mercado que existe próximo a nossa casa tinha sido pintado de laranja. Ele achou um máximo e completou dizendo que seria muito legal ter uma rua onde tudo tivesse a cor laranja ou tangerina. Na mesma hora imaginei como seria legal escrever um texto intitulado “A Rua Tangerina”.
Sei que é simples, talvez até bobo, mas esse é só um exmplo para você ter ideia de que das vivências mais comuns, podem surgir insights. E isso faz parte da rotina de quem escreve.
Olha só o que Zinsser fala sobre isso:

Escrever é um processo contínuo
Por fim, escrever é um processo dinâmico e contínuo. Essa ideia é uma das que mais gosto quando falamos de escrita, porque isso nos permite estar sempre aprimorando nossos conhecimentos e a arte de contar história.
Tenho uma lembrança muito especial de alguns dos exercícios que fazia na disciplina de Língua Portuguesa na minha época de faculdade. A construção dos textos acontecia aos poucos. A cada conversa com a professora, nós tínhamos a oportunidade de melhorar o que já havíamos escrito. Ela enxergava em nós e em nosso conteúdo um potencial de melhoria que muitas vezes não conseguíamos visualizar sozinhos. Isso fazia toda a diferença para a reescrita do noso texto.
Com esse aprendizado, mais as vivências que tive ao longo dos anos trabalhando com desenvolvimento de conteúdo e, agora, com os insights de Zinsser, entendo que a escrita faz parte de um processo contínuo e evolui dia a dia. E olha como isso é real...
Experimente ler um texto que você escreveu há um ano ou há uma semana. Nesse processo, veja se não surgem palavras ou até mesmo frases que você gostaria ter incluído ou substituído do texto original. Estamos em constante mudança e o nosso texto também. Use isso a seu favor.
Afinal, o que Zinsser fala sobre escrever bem?
Como vimos, escrever bem envolve muitos fatores e depende muito do que cada escritor considera no texto. Zinsser traz uma definição interessante sobre como escrever bem. Ele diz o seguinte:
“Escrever bem significa acreditar no seu texto e acreditar em você mesmo, assumindo riscos, ousando ser diferente, empurrando você mesmo em direção à excelência. Você escreverá bem à medida que se lançar a escrever.”
***
Agora me conta, você acredita em você e no seu texto?
Já testou alguns desses insights antes?
Depois compartilhe aqui nos comentários sobre o que achou deles e como eles contribuíram no seu processo de escrita.
Até o próximo conteúdo.👋🏼

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