Invista em referências para ativar a sua criatividade
- Sabrina Neto

- 18 de jul. de 2025
- 5 min de leitura
Saiba como as referências podem ajudar no seu processo criativo de escrita e contribuir para novos insights.

Falar sobre referências é muito particular. Afinal, todos nós carregamos uma espécie de bagagem interna, construída ao longo dos anos através de aprendizados, memórias e experiências. Seja na carreira profissional, nas relações interpessoais, temos sempre algo ou alguém que nos motiva a fazer o que fazemos, e é ótimo que seja assim. Vejo como uma oportunidade não apenas de autoconhecimento, mas, sobretudo, de entender (ou descobrir) o caminho que queremos trilhar.
Quando decidi escrever sobre referências, refleti sobre como elas se manifestam em minha vida. Concluí que surgem por vários caminhos. Elas surgem através da(o):
música;
livros;
revistas;
atividade física;
bate-papo com amigos;
filmes e séries;
relacionamentos;
fotografia;
escrita;
experiências de vida;
e por aí vai.
No contexto do processo criativo de escrita, reunir referências ajuda a direcionar ideias e ações para iniciar novos projetos. Uma palavra, uma frase, um trecho de um livro, o estilo de um autor ou artista que você curte podem te despertar para esse momento criativo.
Contudo, como o próprio nome sugere, são referências, um pontapé inicial para acharmos o caminho que nos conduzirá às nossas próprias criações.
Várias facetas da mesma história
É desafiador ter um olhar original sobre algo que já foi pintado, escrito, falado, construído, filmado muitas vezes. Porém, sempre é possível contar uma história a partir de um novo ponto de vista.
Um exemplo desse olhar particular sobre um assunto já trabalhado muitas vezes é a cobertura jornalística de temas como eleições, tragédias ambientais, mortes de celebridades e autoridades, premiações etc. Alguns assuntos são tão explorados pela imprensa, que mostrar um novo personagem, um novo gancho da história, é crucial para continuar despertando o interesse da audiência.
Outros exemplos são as narrativas de livros, filmes e séries que envolvem heróis e vilões, fadas e bruxos etc. Se observarmos bem, o objetivo acaba sendo bem semelhante nessas histórias, como: salvar o mundo ou uma população de uma tragédia horrível; lutar por mais justiça, por um bem maior.
A questão não está em falar sobre um mesmo assunto, mas em como você constrói essa jornada para compartilhar com o seu público. É nesse ponto que as referências entram em cena e podem contribuir com o detalhe que fará a diferença na sua criação.
Referências: físicas e digitais
Da mesma forma que os nossos mundos físico e digital estão conectados, acredito que as fontes onde buscamos a motivação para fazer o que fazemos também devem estar em sintonia.
No meu caso, gosto do digital pela praticidade que me proporciona e também gosto do analógico por reforçar o processo artesanal de criar. Dentro da minha realidade, a escrita se manifesta nesses dois ambientes e, por isso, é muito importante para mim encontrar referências que me alimentem nesses dois cenários.
Para abastecer essas minhas caixinhas de referências, eu uso diferentes estratégias:
Capturar do digital
Amo tirar prints, seja no computador ou no celular. Faço prints de posts nas redes sociais, do nome de uma música, de um trecho de um conteúdo ou de uma imagem que vi em algum site aleatório e que me impactou de alguma forma. Reúno todas essas referências em uma pasta do drive, na galeria de fotos do meu celular ou dentro do próprio aplicativo usado no momento de salvar uma imagem. É uma espécie de biblioteca particular de referências digitais. Sempre que preciso incrementar uma ideia ou ter um novo ponto de vista para o conteúdo que estou desenvolvendo, por exemplo, visito esse cantinho online.

Guardar recortes e afins
Assim como a dinâmica do mundo virtual me desperta para novas ideias, o mundo real me inspira de muitas formas. Já tinha o hábito de reunir impressos e materiais físicos que me chamam atenção (por exemplo, embalagens, recortes de revistas, desenhos, anotações em post-it, tags, panfletos etc.). Com as colagens e projetos paralelos que desenvolvo para ajudar a ativar minha criatividade, essa prática ficou ainda mais recorrente.
Tenho o hábito de reunir todo esse material e organizar em um fichário ou em uma caixa. Quando as referências estão nos livros, marco as páginas com post-it para sinalizar os trechos que mais gostei e me inspiraram. Dessa forma, consigo retornar à essas páginas quando quero reforçar um argumento ou incluir alguma frase inspiradora em meus textos. Essa prática é legal porque ajuda a lapidar o olhar atento para o mundo à minha volta.

😏Olha as referências reforçando o argumento
No livro Roube como um Artista : 10 dicas sobre criatividade, de Austin Kleon, tem um trecho que traduz o que estamos falando agora. Olha só:
“Mantenha um arquivo de furtos. É isso mesmo o que parece — um arquivo para não perder de vista as coisas que você furtou dos outros. Pode ser digital ou analógico — não importa a forma, contanto que funcione. Você pode ter um caderno e recortar e colar coisas nele ou pode simplesmente tirar fotos de coisas com a câmera do seu celular.”
E ele continua…
“Viu algo que vale a pena roubar? Ponha no arquivo de furtos. Precisa de um pouco de inspiração? Abra o arquivo de furtos. Repórteres jornalísticos chamam isso de ‘arquivo morto’ — gosto ainda mais desse nome. Seu arquivo morto é onde você mantém as coisas mortas que mais tarde você reanimará no seu trabalho.”
Transforme suas referências em insights poderosos
Tem outro trecho, dessa vez do livro Pense como um artista e tenha uma vida mais criativa e produtiva, de Will Gompertz, que diz assim:
“ [...] a melhor reação que podemos ter é fazer algo que nenhum computador no mundo pode: deixar a imaginação assumir o controle. É através da criatividade que temos mais chances de encontrar satisfação, propósito e um lugar na nossa era digital.”
Criar exige coragem, disposição e, acima de tudo, se deixar levar por todos os nossos sentidos (visão, audição, olfato, tato e paladar). Investir em referências também me remete um pouco a esse nosso lado humano. Tanto que outro caminho que utilizo para transformar insights em ação ou ainda registrar o quanto me dediquei ao que nutre à minha escrita é fazer colagens.
Essa prática me permite deixar de lado o autocontrole e soltar a imaginação, a partir das referências que reuni. Nunca sei exatamente como ficará o resultado de uma colagem. Começo com uma ideia (às vezes, nem isso) e sempre me surpreendo ao final do processo. O legal nessa história é a oportunidade que as referências me possibilitam:
👀🔍enxergar algo novo a partir do que já foi criado
E você, de que forma usa as suas referências para potencializar ideias e visualizar projetos que te levarão ao próximo nível do seu processo criativo de escrita?







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